Apetecia-me escrever, peguei num papel e fiz riscos, para mim faziam todo o sentido, mas para a maioria, sempre que mostrava o que havia escrito ninguém parecia entender.
Era uma escrita diferente, era algo fora do comum que nunca ninguém havia visto. Preocupados os meus pais levaram-me ao psicólogo, tentaram fazer-me entender que ao escrever daquela estranha maneira, nunca ninguém iria entender a beleza das minhas palavras.
Nunca pensei que escrever assim fosse pecado, considerava-me um escritor nato, alguém que havia nascido com capacidades fora do comum, tudo o que escrevia para mim era pura arte.
Um risco aqui, mais outro em cima, e outro ao lado, e outro em cima dos anteriores e assim a minha obra de arte nascia, mas ninguém parecia saber aprecia-la.
O psicólogo dizia-me que aquela escrita e o que eu dizia e sonhava não passava de mera ilusão fruto da minha cabeça e que talvez eu não fosse assim tão bom como me julgava, nunca lhe dei ouvidos, pois o meu coração sabia o que realmente estava a escrever.
Com o tempo cresci e deixei de escrever. Apenas escrevia na escola, e nas mensagens que mandava aos meus amigos, havia-me esquecido do quanto aquelas mensagens haviam sido importantes.
Tornei-me adulto, e encarei responsabilidades, esquecendo-me do que realmente importava, numa noite ao vasculhar as minhas coisas em busca de uma abre latas deparei-me com aquilo que me era desconhecido: uma folha com riscos, ao inicio pensei queima-la, afinal não me fazia falta alguma, mas algo me impediu. Tentei decifrar o que dizia pois parecia-me escrita, durante semanas esqueci tudo, o trabalho, as reuniões, as contas, tudo!
Decifrar aquelas folhas era o que me preocupava, não sabia de onde haviam vindo, nem porque estavam assinadas por mim, sabia apenas que não sabia o que diziam e que queria saber.
Um dia farto de tentar decifra-las sai de casa e encontrei uma criança sozinha na rua, preocupado com a mesma perguntei-lhe o que fazia ali, a criança apenas respondeu ninguém compreende o que escrevo nem porque escrevo por isso fugi. Na esperança de conseguir decifrar a mensagem pedi-lhe que esperasse ali, até que eu voltasse pois ia casa buscar algo, a criança assim o fez, voltei com aquelas folhas e pedi-lhe que lesse o que diziam, a criança assim o fez.
Depois de ler a criança chorou eu nao entendia porque, até que ela me explicou e leu o que aquelas folhas diziam e aí lembrei-me do que havia escrito, e percebi que havia esquecido os meus sonhos.
A partir desse dia dediquei-me a escrita e este foi o primeiro texto que escrevi.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
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